Morada

0_lar-839x283Por de traz daquela montanha construí uma casinha, sem trincos, cercas ou campainha.

Deixei a janela aberta e convidei o sol para entrar, mas ali também são bem vindos o céu, as estrelas e o luar

Não é muito grande mas cabe todo mundo lá,

Um livro, um poema, um amor e até um sabiá.

Se de longe ela parece utopia, chega perto, puxe prosa e fique em boa companhia.

(maria ramos)

Diálogo de amor – “a gente precisa estar atento para não estragar as crianças” – Um lindo texto de Lucas Tauil de Freitas

1509110_643794122375226_3438408401778165112_n[1]“É da maneira com que falamos com as crianças que nasce a voz interior que vai acompanhá-las por toda a vida.” A frase que escutei da pedagoga Mary Willow tornou-se um dos faróis pelo qual navego a vida. Tom de voz, atitude, equilíbrio e a intenção profunda com que nos dirigimos aos pequenos moldam seu encontro com a linguagem. Essa mesma fala dá vida ao diálogo interno que os habita e, por vezes, inferniza. Há 13 anos mergulhei no universo da educação com o nascimento de Clara, minha primeira filha. Entrei nessa água pelo quintal mágico de Terezita Pagani, fundadora da escola Te Arte, em São Paulo. A sabedoria dessa capixaba polia mães e pais para que não estragassem as crianças. Quando fomos viver em Paraty, no Rio, sentimos por não haver uma escola como aquela. Angustiado, procurei a Terezita. E ela me disse: “Se não tem, faça uma”. Respondi que não sabia nada de educação, que era jornalista e minha mulher, publicitária. Então ela me sugeriu uma conversa com Ada Pelegrino, uma psicóloga com larga experiência com grupos e suas dinâmicas.  Lá fomos Sandra e eu encontrá-la. Ada, com sua serenidade, nos aconselhou: “Não pensem em fundar uma escola. Um passo de cada vez. Façam um bolo e convidem outros pais com as mesmas questões para conversar”. Reunimos oito casais, um par de bolos e, semanas depois, nascia o Quintal Mágico, em Paraty. Érica Zanventor, uma das mães do grupo, assumiu o papel de professora com o apoio da Fabíola Guadix. O sonho ganhava asas. As meninas foram para São Paulo estagiar na Te Arte e, enquanto isso, conseguimos um casarão com jardim em troca das reformas necessárias no imóvel. De frente para o rio, nossas crianças nos viram bater o chão da casa, que estava no contrapiso. Um grupo sincrético com pescadores, agrônomos, artesãos e toda sorte de profissões caiava paredes, limpava entulho e envernizava. O desafio de iniciar uma escola crescia. Um casal de pais, Lena Miller e Pablo Pontes, tinha experiência com a pedagogia Waldorf e convidou a pedagoga carioca Denise Domingues, a Nina, para nos oferecer uma palestra. Estávamos entusiasmados com o método criado por Rudolf Steiner, que integra o desenvolvimento físico, espiritual e artístico. Mas tínhamos um pouco de resistência, já que muitas escolas que seguem essa linha são também elitistas. Isso se derreteu com a experiência de Nina na favela da Maré, no Rio. Queríamos um lugar para todos e acessível para a gente simples dali. A escola tomou vida própria. Mas nossos rumos, um dia, se separaram. Sandra, Clara, Júlia e eu soltamos as amarras e navegamos. Foram três anos entre Brasil e Nova Zelândia e educamos as meninas a bordo. Em Auckland, encontramos uma escola na vila de Titirangi e lá estamos. E foi com os desafios adolescentes da minha primogênita Clara que descobri o aconselhamento de Mary Willow. E me lembrei de que a gente precisa estar atento para não estragar as crianças. Minha menina virou moça e trabalha para ser a voz gentil e firme que a apoia.”

Um texto de LucasS Tauil de Freitas – todos os direitos reservados. Creditos Revista Vida Simples digital

Sobre viver

tumblr_mvpe5b74oU1rimr6yo1_500[1]Sobre papeis amassados, um vazio embriagado

e um abismo de incertezas

Sobre a mesa, um copo de cerveja

e o tempo perdido lá fora

Sobre as horas, um vento lento, sem demora

e há dias desplugado

Sobre o passado, um segredo nunca revelado

a cobrir os lençóis com um poema inacabado.

(maria ramos)

Assim como você

13239262Case com alguém que goste de escrever versos de amor,  mesmo sabendo das varias direções do amor

Case com alguém que valorize os encontros, mesmo sabendo das inúmeras  possibilidades de desencontros

Case com alguém que sabe poetizar o seu nome, mesmo sabendo que maria pode conter infinitas rimas

Case com alguém que se aventure na cozinha, mesmo sabendo que algum paladar pode ter sabor amargo

E por fim, case com alguém que você goste de conversar e namorar,  mas principalmente com alguém que sabe amar, infinitamente ate durar.

(maria ramos)

(minha homenagem a Vinicius de Moraes – 19/10/1913)

Sim! Cheguei ate aqui… as dores e delicias de passar dos 50

041cf46633e59d65399b66480f029905A expressão “chegar lá” nem sempre é um objetivo, pode significar o curso normal da vida principalmente para quem já passou dos 50, assim como eu.

Confesso que chegar até aqui não foi a vitória mais esperada, mas não deixa de ser um premio. Deixo claro que esse texto não é só sobre maturidade, pois acredito que “ser” maduro não é uma questão de tempo ou idade e sim uma simples questão de “estar”. E se hoje estou feliz, estou plena, estou tranquila, estou realizada é porque aceito a condição do momento e de chegada até aqui, mesmo com todas minhas imperfeições. Se tudo é impermanente, então nada é para sempre. Como diz Cartola, “o mundo é um moinho” e as vezes o vento está a seu favor, e quando isso acontecer, respira fundo e aproveita  o vento no rosto porque isso deve ser aquela tal liberdade.

E para você leitor (a) que ainda não passou dos 50, tenha plena certeza que poderá chegar lá pelo curso normal da vida, e se permanecer curioso irá descobrir que cada etapa da caminhada é uma nova maneira de viver. Fazer  52 não é tão ruim assim, mas lá se vão 1/2 século de vida. Ok! Esqueça o peso do 1/2 século e leia o que se pode aprender quando se chega aos 52. Pode ser que seja uma bela conquista, afinal chegamos até aqui!

1)      Procure sempre  um medico para manter seu corpo físico em ordem, afinal você precisa dele para continuar seguindo. Mas não questione e nem se entristeça, simplesmente aceita! Você está na menopausa, mas ela, assim como uma dor de amor, também passa. Cuide-se bem.

2)      Sua irmã que antes tinha uma grande diferença de idade para ser sua amiga, hoje é sua melhor conselheira e companheira de viagem. Onze anos nem é tanta diferença assim. Aproveita e divirta-se.

3)      O amiguinho do seu sobrinho que você viu crescer e até levou em festinhas de aniversário e dormiu na sua casa, vai lembrar de você e dizer “E aí tia? Beleza?”... e isso é bom, porque você continua sendo inesquecível e incrível, pena que não pode frequentar mais as mesmas baladas que ele frequenta… isso é bom também. Relaxa.

4)      Você percebe que os cabelos estão mais brancos, a pele não é tão rígida e algumas rugas e quilinhos são mais aparentes. Mas assim com os Titãs, Cristiane Torloni, Bom Jovi, Ney Matogrosso, Samuel Rosa, Gloria Pires, Wood Allen, Sonia Braga e Tom Cruise,  seus ídolos também envelheceram e estão cada vez melhores e na ativa. Portanto, você está na moda! Inspire-se.

5)      Você olha as fotos de seus antigos amigos pelo FB  e percebe que eles estão casados há mais de 20 anos, tem filhos na faculdade e alguns já tem netos e só você não tem marido, filhos e netos. Isso pode causar uma certa frustração? Pode ser que em alguns momentos sim. Nessas horas pense nos boletos das escolas e das faculdades que você deixou de pagar e comprou uma passagem para Paris sem dar satisfação a ninguém rsrsrs… Curta a sua liberdade (e Paris).

6)      Antes dos 50 você não tem muita paciência com o idoso, depois dos 50 percebe que generosidade assim como afeto, é a chave e o segredo para uma vida bem vivida, porque como aprendi com  minha irmã, “você só retira da vida o que põe nela”. Ame.

7)      O tempo passa e passa depressa! Não fique parada no tempo, conheça novos escritores, novas religiões, músicos e novos ritmos. Não é para se apegar mas sim para adquirir novos conhecimentos. Mario Quintana disse um dia  que “enquanto permanecermos curiosos estaremos vivos”. Frequente museus, parques, circos, shows de rock, folk ou bandas independentes sem se importar de ir sozinha, afinal você já aprendeu que estar com você é uma delicia. Viva.

8)      E o lado bom de “estar envelhecendo” é que você pode “flertar” com os rostinhos mais jovens, afinal você se tornou inofensiva rsrsrs. Ria e alimente-se do frescor dessa juventude.

C’est la vie mon amour … e mesmo com tantas perdas e ganhos, pesos e medidas, acho que cheguei até aqui com um saldo positivo: A vida se tornou mais leve. Posso olhar para traz e dizer “que pena que a leveza chegou só depois dos 50″, ou posso olhar para frente e dizer “que bom que a leveza chegou depois dos 50…”. Agradeça.

(maria ramos)