no mural de maria: “Nômade” – o novo trabalho de Renato Godá, o encantador de cavalos*

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Sabe aquela criança que passou a infância no interior paulista, abrindo porteiras (mais fechando, pelo constante medo das vacas rsrs), colhendo fruta do pé, ouvindo moda de viola com o pai e quando adolescente, ganhava discos de vinil do irmão mais velho e nas tardes de verão, sentada da varanda da casa, colocava pra tocar na vitrola os discos de Paul Simon, Bob Dylan e Joan Baez incansavelmente ate decorar as canções?

Pois é essa a sensação quando se ouve as 11 faixas do mais recente trabalho de Renato Godá: Um nostálgico momento de contentamento.

Como quem galopa sem destino mas na estrada certa a seguir, Nômade parece te remeter  a Kingsland. Ok! Não conheço Arkansas, mas Kingsland é a cidade natal de Johnny Cash e esse texto é sobre Renato Godá, o que dá no mesmo (rsrsrs).

Por toda essa sensação e com uma poesia diferente de qualquer  poeta de sua geração, Renato (é assim que eu gosto de chama-lo), conseguiu fazer de Nômade um poema novo de palavras leves e simples, mas não menos sensível e profundo.            O que dizer de “Chegada”, uma doce melodia amada e dedilhada em violão (e coração), como se penetrasse num mundo florido, de fantasia, particular e invejável?   E da filosófica “O tempo passa”, aquela musica de final de noite que você coloca para os bons amigos, só para  abrir uma ultima conversa ou uma ultima cerveja e questionar o sentido da vida?… Nômade é assim, uma quase transparente autobiografia.

Mas, as musicas dançantes , aquelas que você pensa em arrastar o sofá da sala e ate tentar uns passinhos de folk, também compõem o novo trabalho com “Dias passados”, “Suas leis”, “50 cavalos” e a própria musica que dá titulo ao disco “Nômade”. Duvido você não cantar e “batucar” no volante do carro enquanto espera o farol abrir!               Renato também não perde a oportunidade de cantar o amor (ainda bem) e faz uma belíssima declaração na canção “Junto a você”, provando que o amor nunca será “Demodê” e que um velho marginal e vagabundo ainda sabe oferecer flores e “conhece os atalhos para te incendiar”… Nômade é assim, uma viagem pelas trilhas sonoras e encantadoras do folk.

Com músicos e arranjos de primeira, o tão esperado Nômade, foi lançado há menos de um mês, desafiando toda e qualquer estatística de que novembro não é uma boa época para apresentar disco novo no mercado, em virtude de muitos e “grandes” artistas lançarem seus trabalhos na mesma época. Mas como tudo na vida de Renato gira em torno de encarar os desafios de frente, a paixão falou mais alto e o que podemos ver em Nômade é um poema semeado e germinado, podendo ser colhido a qualquer tempo e por todas as estradas.

No dicionário, o significado da palavra Nômade é “aquele que vive permanentemente mudando”. O Budismo ainda diz que tudo é impermanente, tudo se renova. E enquanto Renato estiver na estrada, buscando o novo sem perder a sua alma livre, amores e poemas permanecerão vivos, intensos, curiosos, leves e agradecidos.

Agora é aguardar a turnê para conferir ao vivo a bela sonoridade, os impecáveis arranjos, as poéticas letras, a fascinante voz, o charme e o tímido jeito sexy de ser de Renato Godá,  pelos palcos do mundo.

Estrada longa Nômade!

E para quem pensou que não iria listar a minha favorita,  “Sem querer te transformar” foi amor a primeira vista. Quando ouvi pela primeira vez, de cara entendi o motivo da paixão: Renato que me desculpe, mas IVAN MARCIO na gaita, rouba a cena e o poema. Impossível não reconhecê-lo na participação pra lá de especial. É para aumentar o som no solo de gaita e se render ao talento de Ivan.

maria ramos

p.s. eu já escrevi mais sobre Renato aqui no blog (http://tempoparamaria.com.br/?p=6065), mas se quiser conhecer um pouco mais sobre os seus trabalhos e agenda, acompanhe Renato Godá pelo FB  https://www.facebook.com/renatogodaoficial/   e também no Instagram @renatogoda.

* nota: O encantador de cavalos (The horse whisperer) é o nome de um filme estrelado por Robert Redford na década de 90. Sensível e delicado,  o filme retrata com leveza e suavidade a vida livre de um rude cowboy de Montana apaixonado por cavalos, montanhas e pastos,  sem perder o encanto do amor. Quer descrição melhor que essa para definir  Renato Godá? – P.S.Love.

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