A vida é mesmo muito frágil…

hqdefault Em visita realizada num hospital, num leito de UTI qualquer, fiquei olhando as fragilidades diante da eternidade do acaso. Um acaso que as vezes me protege e as vezes me trai na demora do aprendizado.

Diante de tantas análises posso dizer que o que me torna frágil é a longevidade sem realizações ou a auto sabotagem do gozo.

Passo pelo tempo e tempo passa rápido, vou prorrogando meu futuro e quando ele chega minha fragilidade me consome por razões que minha razão desconhece ou não encara de frente!

Nessa visita que fiz, conversei com um amigo que me disse -”Quero viver mais 20 anos”. Depois de algumas risadas, já que estamos na casa dos 50, pensei se quero também viver mais 20 anos! Aliás a pergunta correta seria Como quero viver por mais 20 anos?…

Posso me dar o direto de ter preguiça ou acordar tarde sem culpa

Posso deixar para amanhã ou deixar pra lá

Posso contar estrelas ao invés de contar os anos

Posso abrir mais as janelas e menos o fogão

Posso chorar mais, seja de tristeza, de alegria e sem vergonha

Posso amar mais sem cobranças padrões ou regras

Posso primeiro ir ao cinema antes de ir ao supermercado

Posso lavar a alma ao invés de lavar a louça da pia

Posso sair da rotina e bagunçar a minha vida ao invés de organizar a casa e as gavetas…

Posso? Sim! Claro que posso, mas quero?? A escolha é minha e por isso não posso “subornar” a vida.

Minha irmã tem feito as contas do tempo e sendo otimista (coisa que ela é), acredita que também tem mais 20 anos pela frente, que na classificação dela é pouco e por isso optou em ser mais feliz do que ter sempre razão (frase que ela não cansa de repetir e que já virou uma filosofia de vida rsrsr…)

Nando Reis diz que “certeza é o chão do imóvel, prefiro as pernas que me movimentam”. E enquanto tenho tempo é melhor caminhar e assim tentar descobrir o sentido da vida. Estou chegando a conclusão que o sentido da vida deve ser a morte, por isso me sinto tão frágil frente a esse mistério! A vida é uma linha que me direciona seguir até o fim para depois recomeçar. A forma (ou formula) como percorro essa linha é o que me define. E quando olho a fragilidade de um corpo já vencendo as barreiras do tempo, volto a me questionar sobre a vida, na caminhada que venho fazendo para chegar de volta ao recomeço. Tenho certeza que o pensamento deixado pelo escritor e poeta Oscar Wilde, “A vida é muito importante para ser levada tão a serio”, é a mais pura verdade!

Então por alguns segundos, imito Cazuza e arrisco a preferência por “toddy ao tédio”, porque quando a fragilidade do tempo me tocar não vou querer “luxo nem lixo, quero saúde para gozar no final” e não vou esperar uma próxima visita num hospital para acreditar nisso.

(maria ramos)

p.s. Quando terminei de escrever esse texto, fiquei sabendo da morte do meu ídolo David Bowie. É! A vida é mesmo muito frágil… e só por isso já valeria a pena conduzi-la com mais leveza.

 

2 ideias sobre “A vida é mesmo muito frágil…

  1. Linda musica diz tudo. Tudo o que não fazemos, pena pq mais tarde a vida cobra. E estou com a Rita, sempre falo essa frase. rsrsr Mas temos que seguir, como se diz: não dá para voltar. Até que seria bom, mas pensando bem, faria tudo de novo. Então para que voltar? Vou refletir muito ainda sobre esse texto. E falando em vida, esse ano vou receber uma vida, meu neto ou neta ainda não sei, mas uma vida que vem preencher mais a minha. Bjs

  2. que bom. a ideia é essa mesmo: refletir, mas não pirar rsrsr.. que noticia é essa? me conta depois em off. bjs.

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