Sobre a mesa e sobre amigos, sobretudo portas abertas e um violão, porque é sempre Natal

IMG_20151214_011853O momento de dar adeus para mais um ano, sempre foi um momento de refletir um pouco sobre tudo o que fiz e o que me foi importante. Ao contrario de muitas pessoas, Natal pra mim nunca foi uma data alegre ou esperada. Sempre tive uma certa vontade de estar em quietude. Hoje até confesso isso com mais naturalidade, sem medo de chocar ou não ser compreendida. Claro que entendo o valor da data, respeito e participo. É o exagero, a correria, obrigações e padrões que de certa forma me incomoda. Penso que Natal é feito de dias especiais e não somente de um único dia especial com data e hora marcada.

Nesse ultimo fim de semana reuni alguns bons amigos em casa para um almoço e registrei a importância de aproveitar o tempo desses encontros, mesmo esquecendo de registra-los em fotos. Antes de abrir uma garrafa, abri a porta do meu pequeno apartamento para receber esses amigos que a vida me deu de presente nessa encarnação (mas com a nítida certeza que eles já fizeram parte de outras). E entre um papo e outro, entre risadas, aguas e cervejas (mais cerveja do que agua rsrs), fiquei por alguns momentos olhando a nossa reunião. Quando nos despedimos, fechei a porta e disse: – Isso é Natal pra mim! Ter um lar para abrir a porta, doar e acima de tudo receber boas energias, misturar e se encantar com as diferenças sem regras ou etiquetas, sem esperar por uma data especial, porque especial é aproveitar o momento que se vive e sobretudo como se vive. Entre amigos, boa conversa, jazz e folk, entre o “profano e o sagrado”, loucuras e sanidades, louças pra lavar e poesia, gafes e papo serio, entre a sofisticação do brie com aspargos e o divertido estrago que um único alho pode causar na sua tigela de porcelana chinesa, entre presépios esquisitos, incensos, anjos, Budas paz e amor (amor sempre), o requintado sal rosa do Himalaia em contraste com o bacon “perfumando” toda casa, entre panelas nunca usadas, cafés e os cigarros que faltaram, eu percebi que mesmo sem falar de Natal ou religião, a essência estava presente 13 dias antes da data marcada, como se Jesus fosse a arte do encontro (do encanto). Lenine já cantou que “a vida é tão rara”, então todos os dias que deixo a vida nascer, criar e pulsar, isso é Natal pra mim!

E o domingo ainda terminaria com a porta aberta para receber outra amiga querida (e essa eu tenho certeza que em outra vida foi minha irmã), e que ao sair deixou um leve perfume sobre o ar (lar), com a promessa de voltar antes do aroma evaporar.

Um brinde ao Natal de todos os dias e que eu possa receber (merecer) os meus outros “25 de dezembro” com…

* menos exagero de comida mais agradecimento sobre a mesa

* menos presentes mais presenças

* menos datas programadas mais encontros casuais

* menos discussão  mais inspiração

* menos supérfluo mais essencial

* menos sofisticação mais diversão

* menos decoração mais emoção… porque a beleza do Natal está nos olhos de quem vê (de quem vem) e independe do dia.

Ao invés de comprar um novo sousplat para compor minha mesa, acho que vou comprar um violão, porque o papel e o lápis já estão sobre a mesa… Sobre os amigos? Ahhhh… esses sempre encontrarão as portas abertas e uma parte do meu Tempo para “cigarros, cafés e canções para embalar…” os nossos encontros.

            Feliz Natal! Hoje, amanhã, dia 25 e todos os dias que vier ou que quiser

(maria ramos)

2 ideias sobre “Sobre a mesa e sobre amigos, sobretudo portas abertas e um violão, porque é sempre Natal

  1. Texto lindo, amei!
    Que os encontros, reuniões, risadas e receitas possam fazer parte ainda mais de nossa rotina no ano novo que vem por aí…. afinal, isto é o que realmente levaremos desta vida!

  2. é isso sim Gabriela! como diz novamente Lenine: ” quando eu olhar pro lado eu quero estar cercado só de quem me interessa”. Bjs.

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