Lá dos tempos da minha avó…

“Certas coisas deveriam ser como os Clássicos, ou seja, eternas!” Essa frase ouvi recentemente em um filme que assisti. E na mesma semana que eu postei uma foto antiga na pagina do meu grupo de amigos da adolescência, o programa “Papo de Segunda” abordou um assunto sobre Nostalgia, na minha playlist a canadense Diana Krall (a musa do jazz da atualidade) encanta com uma nova roupagem a musica “Cry me a river”, um clássico dos anos 60 imortalizado na voz de Ella Fitzgerald.

O que será que está acontecendo? Coincidências ou necessidades?

Se somos uma geração tão instantânea, porque essa valorização com o “velho”? Minha casa tem uma parede de azulejos antigos, na casa da minha sobrinha uma cadeira de balanço do vovô, minha amiga tem uma maquina de costura Singer, sem contar o guarda-comida, a vitrola, o disco de vinil, louças, roupas e outras peças decorativas que em lojas especializadas custam uma fortuna! Mas sempre quando vejo digo: - Isso me lembra a casa da minha avó…

E aí bate aquela nostalgia e entre um papo e outro, temos saudade daquela época ingênua, com mais redes na varanda e menos redes sociais, mais olho no olho e menos selfs, mais café no bule e menos café goumert… Meus avós educaram 11 filhos, viveram até os 92 anos não tinham carro muito celular e computador. Como conseguiram?

Não sei! Mas na verdade não acho que isso seja um saudosismo, essa “saudade” de vez em quando resgata um momento de descanso e de reflexão para essa vida tão agitada que levamos hoje em dia. Tudo tem o seu tempo, sua necessidade e evolução. E a cada tempo um momento para viver, apreciar e aprender que cada instante é único mas que também passa. Se hoje estamos resgatando ou repaginando esses bons momentos é porque eles foram inesquecíveis, se não para nós, com certeza para o nosso tempo ou para uma geração. Olhar para a velha maquina de escrever Olivetti do meu pai, é como tê-lo pertinho de mim novamente e lembrar que ela (ou ele) teve uma boa historia para contar.

A beleza do antigo não está na comparação com o novo.Está na sua historia, no momento que se vive (ou se viveu) e o que cada um representa (ou representou). E se conseguimos resgatar um pouco desses clássicos para o nosso dia a dia, para nossos filhos, sobrinhos ou netos, é sinal que tudo valeu a pena e a vida segue, porque vivemos no mundo e o mundo vive em nós. E um mundo com boas lembranças e com boas historias para contar, com certeza sempre será um mundo melhor.

Se você sonha com o antigo guarda-louça da sua avó e acha que ele ficaria lindo na sua sala, saiba que o seu olhar mudou! Você está aberto para receber, integrar e trocar ideias com outras gerações. É como entrar na maquina do tempo, lembrar (buscar) o que foi bom e prestar uma homenagem.

Se o “velho” móvel ainda inspira e agrada, pode ter certeza que a página do livro da nossa vida possui um grande conteúdo e com certeza será um prazer  escrever os próximos capítulos. Se vou escrever no computador ou na velha escrivaninha com a caneta tinteiro do meu pai? Se vou ouvir uma boa musica baixando uma playlist ou rodando meu vinil? Não importa… o que vale mesmo é saber viver no momento e na geração que se vive, porque no fim (quando bem vivido) nada envelhece, tudo se transforma no bom e velho clássico. Assim mesmo! Igualzinho como era lá nos tempos da minha avó…

(maria ramos)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>