O pão sírio de cada dia

inimigos[1]    Quanto tempo ainda resta?

Para  quem acredita em outras vidas assim como eu, diria que “temos todo o tempo do mundo” e posso aqui enumerar o que se pode fazer enquanto se tem tempo nessa vida:

Tempo para perdoar; Tempo para amar; Tempo para aprender; Tempo para estudar etc etc etc… Mas o que dizer sobre o outro lado que aproveita o tempo para vingar, impor, matar, odiar, guerrear?

Sei que a vida é feita de escolhas e cada um está dentro da sua evolução, seja moral, intelectual ou espiritual, mas o fato é que para usar o tempo ninguém precisaria ferir o outro.

Até quando vou assistir o descaso com mais uma guerra civil? Por quantos AYLAN ainda vou ter que chorar sentada no sofá da minha casa? Sim! Porque guerras como a da Síria passam pelo meu tempo num zapping de TV. Fico indignada, choro, critico, e depois vou dormir. Até quando vou criticar um “Estado Islâmico” por sua violência sem criticar meu “Estado de Inércia”?

Já presenciei muitas outras guerras pela TV, já vi muros e estátuas serem derrubadas, já assisti fome, misérias, terremotos… e o que fiz diante dessas imagens?

Parece que grandes tragédias se tornaram compaixões temporárias. A foto do menino Aylan correu as redes sociais e comoveu o mundo, foi motivo de critica, crônicas, pichações em muros, charges e muitos, muitos textos e opiniões, e ainda está em alta. Mas e depois? Para romper o silencio (ou inércia) será preciso aguardar a próxima foto? Quanto tempo dura minha solidariedade? O que tenho ou o que posso fazer? São perguntas que venho fazendo já algum tempo e não encontro respostas concretas. A sensação de impotência me machuca mas ao mesmo tempo não me cala e esse texto é uma expressão viva disso que estou sentindo.

Difícil entender os motivos de uma guerra civil! Todos estão certos e todos estão errados. Difícil aceitar a ideologia de um povo (ou parte dele) que insiste em inverter o significado de um regime Sunita. Como explicar a expressão “guerra santa”??

Sergio Vieira de Mello disse certa vez em um de seus discursos, quando ainda era um enviado da ONU: “Não acredito em choque de civilizações. Acredito em uma única civilização: a civilização humana”. Faço parte dessa civilização, faço parte dos conflitos da Síria, faço parte da dor e do vazio dos refugiados, faço parte do descaso com o Haiti… ou seja, faço parte do mundo. Ainda me incomoda ver tudo isso sentada no sofá sem o “poder” de cessar os horrores de uma guerra, mas tento buscar na serenidade e no silencio do meu ser a minha melhor vibração e espalhar um pouco de amor (ou gentileza) ao próximo, porque como já disse o apóstolo Pedro: “O amor cobre a multidão de pecados”. Tenho absoluta certeza que ainda faço pouco (ou nada), mas enquanto tenho tempo, minha resposta é dar o que tenho. Não critico Angelina Jolie, Bono do U2 ou qualquer outra celebridade da musica, da política, do cinema, porque enquanto temos voz e amor, temos esperança!

“não existe um caminho para paz, a paz é o caminho” – Gandhi

Faça sua parte! Use seu tempo e talento, não importa se filiado a uma campanha humanitária ou simplesmente desabafar em redes sociais. Não importa se no silencio do seu quarto uma oração saia do seu sentimento ou dos acordes do seu violão. A verdade do que sentimos deve estar dentro de nós e o mundo ouve, lê e sente a força e o poder do amor coletivo.

“um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão…”

4 ideias sobre “O pão sírio de cada dia

  1. Cada um faz seu trabalho de formiguinha amiga querida, acredito que o pouco feito com amor é muito. Diante de um quadro como o atual, às vezes, nos sentimos impotentes. De qualquer forma não há como se dizer que façamos parte da civilização humana, porque o que vemos não é nada civilizado. Por enquanto vivemos a nossa humanidade! Parabéns pelo texto! Escrever algo assim, já é sair da comodidade. Beijos.

  2. Oi Meu Amor, lendo seu texto veio de encontro com o que te falei sobre a aula que estou preparando. Por volta do ano 1000, Jesus chegou para João seu apóstolo querido e disse: João preciso que volte a terra e reconstrua minha igreja. Isso pq q “humanidade” estava de tal forma que seguir Jesus era lutar em uma “Guerra Santa”. Foi então que nasceu Francisco de Assis. E mesmo com todo Amor que ele plantou, trazendo o próprio Cristo de volta a terra. essa “Guerra Santa” continua até hoje. E o que fazer então? Exatamente o que vc faz. Continue plantando Amor e o evangelho nos corações das pessoas. Faça suas orações, que sei, são feitas de coração e alma. E não diga que não faz nada, pq vc faz muito. Só de existir na vida de tantas pessoas e ama-las como as ama, não preciso nem dizer rsrs. Continue orando pelo planeta e pelas pessoas é disso que o plano espiritual precisa para continuar agindo. Amei o texto como sempre. Bjs Tenha um lindo dia.

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