crônica de uma jovem peregrina

peregrina

UM NOVO TEMPO

Quando Paulo acordou já era dia e não mais reconheceu o lugar. Seus olhos embaçados e ainda inchados da longa noite escura e fria, o impediam de enxergar o novo dia.

Esperou por um tempo a poeira passar e mesmo devagar, em passos lentos, seguiu caminho como quem quisesse voar longe passarinho. Em cada esquina uma criança, em cada rua um andarilho, em cada olhar uma nova lembrança.

Paulo sentia seu corpo despertar de um sonho distante e aprisionado por anos. Retirou os véus, recolheu os panos, conversou com pessoas e construiu historias até mesmo para reencontrar  sua própria memória.

A cada conversa e a cada encontro, sentia a necessidade de ir adiante para desbravar horizonte e novos caminhos. Todas as historias que ouvia eram registradas em pergaminhos. Seu coração crescia, batendo acelerado num enorme prazer espiritual, feito uma mistura de fé e amor incondicional. Sempre em frente e não de repente, Paulo estabeleceu uma meta, um alvo, sem olhar para trás e nem mais lembrar da noite escura, fria e fugaz. Seu destino era a busca do conhecimento e firmado por um contentamento, partiu.

Mas em novos e desafiadores caminhos, também se viu ignorado, ridicularizado e sozinho. Já não era o mesmo homem, um novo corpo habitava sua alma e quando a tempestade se fez calma, seus cansados joelhos dobrou em oração. Era o momento e a chance da grande renovação!

E depois de tanto caminhar buscou um abrigo para repousar, lia e relia todo o registro contido no papel, com a fiel certeza que um dia todos conheceriam sua história.

Na sua trajetória,  Paulo sentia que já não mais dormia e sim sonhava. Caminhava adormecido quando uma voz solta no vento, soprou em seu ouvido : - Paulo Paulo… Não durma, desperte!

Inerte, conseguiu abrir os olhos e não viu ninguém! Apenas uma luz anunciando um novo dia, um novo tempo, um ir além.

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Quanto tempo iremos permanecer dormindo? Quando iremos despertar nossa alma da noite escura e sombria que ainda insiste em nos aprisionar no abismo da culpa, do medo, da duvida e da dor?

Um novo tempo nos espera… Desperta, ó tu que dormes…” – Paulo (Efésios 5:14)

(maria ramos)

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