crônicas de maria: Um tubinho com aroma de mulher

images1Y2YR3GM   Ela não era uma mulher bonita, mas era uma mulher com um “M” diferente das outras. Entrou na cafeteria vestida com um clássico e impecável “tubinho preto”, perolas envolviam a região do colo, um echarpe de seda nas mãos, scarpins, um cabelo preso num coque displicentemente chique e espalhou um doce perfume no ar ao passar pelo corredor, ate escolher a ultima mesa ao fundo. Acenou para o garçom e pediu baixinho :

- Uma agua natural sem gás e um expresso, por favor.

Não colocou nenhum tablet sobre a mesa nem mesmo o celular, simplesmente sentou, acomodou a bolsa na cadeira ao lado e enquanto aguardava o café folheava um recente livro ( parecia recente pois folheou desde a primeira pagina ).

Sem se importar com o tempo ou com os acontecimentos ao seu redor, ela se deixou envolver por alguns breves momentos que pareciam ser eternos… degustou o café, folheou mais algumas paginas do livro como se estivesse acariciando a própria historia. Tudo parecia estar em slow motion, aquele momento era dela e de mais ninguém.

Mas depois, pela primeira vez, olhou para o relógio como se lembrasse de um compromisso. Pediu a conta, pagou, sorriu, agradeceu  e se retirou da mesma forma que entrou… discreta e elegantemente.

Retirou da bolsa um óculos de sol ( provavelmente da mesma marca que seu perfume ), acenou para um taxi e partiu.

Qual destino dela agora?… Uma mulher que não era bonita nem precisava ser, porque era discreta, educada, charmosa, com leve toque de mistério, chique e encantadora como uma parisiense dos filmes de Woody Allen. Não era uma mulher qualquer! Era uma mulher que sabia vestir um clássico e impecável “tubinho preto”.

(maria ramos)

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