Freedom!’90

anos90 Não sei bem ao certo o motivo recente de resgatar o passado ou parte das coisas bacanas que marcaram uma época. Mas essa fase retrô até que é simpática! E a onda agora é resgatar anos 90.

Vinte e cinco anos atrás eu já não era nenhuma garotinha, mas confesso que também foi uma época marcante – digo “também” porque sou e fui uma apaixonada pelos anos 80.

Quando sentei para escrever um texto para o blog, vi na TV o clip de George Michael (o titulo aí do post), e pensei: Nossa! Nada mais anos 90 que George Michael. Eu sonhava ser uma das musas do clip e passava horas fazendo caras e bocas tentando imitar Linda Evangelista (a modelo top anos 90)…

Eu amava George Michael, Morrissey e Renato Russo… descobri depois que meus grandes ídolos eram gays… mas e daí?! Comecei então a puxar pela memoria o que me marcou nos anos 90. Não vou entrar em  detalhes mas nem tudo foi fácil, tive algumas perdas nessa época. Superei com muito bom humor, união de família e vizinhos (ahhh os vizinhos dos anos 90! quanta saudade)

Mas o real motivo desse texto é saber porque estamos resgatando os anos  90 não é mesmo? Então vamos lá! Essa é a minha lista e faço um convite para você fazer a sua e entrar nessa moda. Anos 90 marcaram minha vida porque…

1) Cantei Ana Julia, Pelados em Santos, Evidências e Estou apaixonado (ate hoje o hino de amor do meu irmão e minha cunhada)

2) Conheci Nirvana, Hed Hot Chili Peppers, Pearl Jam e sem vergonha dancei a coreografia dos Back Street Boys e do comprade Washington rsrs

3) Amei (amo pra sempre) o nascimento do Rock Nacional que explodiu com Titãs, Camisa de Vênus, Legião Urbana, Barão Vermelho…

4) Chorei (e ainda choro) com a Lista de Schindler, com a conquista do tetra e com a morte do Airton

5) Vibrei com a eleição e a posse de Nelson Mandela, acreditei no Plano Real

6) Usei Keds, camisa xadrez tipo grunge e calças baggys (meu deus!!!)

7) Assisti Chiquititas, Castelo Ra Tim Bum, os Simpsons, He Man, Friends e Família Dinossauros

8) Me emocionei com Ghost, Uma linda Mulher e para não dizer que sou chata, encarei 4 horas do premiado Titanic

9) Fui contaminda pela serie de TV da Cultura : Anos Incríveis (que para minha alegria, rola uns boatos de reprise)

10) …

É! Acho que essa lista não para por aqui e não importa se hoje temos 40 ou 50, como diz George Michael: Freedom!!! O importante é ter liberdade para voar em todas as épocas e se no final de cada década, conseguirmos rir das fotos, das roupas e cabelos que usávamos, das musicas que cantávamos ou simplesmente rir de nós mesmos, vamos poder dizer: Valeu a pena, valeu a pena! Ops! Isso é tema de uma canção do grupo O Rappa, outra preciosidade dos anos 90… não disse que essa lista não tem fim?!!

E ai? Já deu tempo de fazer a sua listinha? Aproveita a onda, aumenta o som e…“Now I’m gonna get myself happy… Freedom….”

(maria ramos)

Mais uma de insônia

Porque quando bate aquela insônia que fazia tempo que não te visitava, o melhor é não discutir e procurar uma caneta e um caderno.

E aqui estou eu mais uma vez rabiscando, observando as coisas a minha volta (leia-se aqui todas as coisas – de materiais a emocionais)

E se o tempo demorasse para passar como nas noites de insônia?

Quem sabe teria mais tempo para organizar meus armários, meus discos, minha vida. Teria mais tempo para escrever ou ler, teria mais tempo para ficar com minha “velha”, com meus irmãos ou comigo mesma…

O fato é que o tempo não é uma noite de insônia, ele passa e passa bem depressa. Estou a 3 meses de completar 51 anos e me pergunto se isso é uma boa ideia! (sem trocadilhos com a marca do aguardente). Não sei se fiz tudo que queria ou deveria ter feito, aliás tenho a sensação que fiz pouco, principalmente no que diz respeito a “solidariedade”, “voluntariado”, algo que no final pudesse dizer : Deixei minha marca, já posso voltar!…

As vezes me pego pensando (olhando) no olhar de um idoso. Quanta historia teria alí escondida ou contida? Quantas pessoas passaram por ele? E hoje é só um olhar sozinho e longe, num tempo que para ele não passa, é sempre uma longa espera. Fico aqui escrevendo e olhando a fumaça do incenso que queima lentamente como se me convidasse a relaxar e não pensar tanto, porque pensar no que poderia ter sido ou o que será daqui pra frente pode ser perda de tempo. Ou será uma reflexão?

Não sou mais nenhuma garotinha e isso é real. Acho que estou na juventude do envelhecimento, no inicio de uma nova fase, novas descobertas e a juventude é sempre um frescor! Ela anda me convidando para ser livre e a minha maturidade (ou loucura) anda aceitando…

Sei que amanhã vou acordar (ou não, pois já está amanhecendo) e começar tudo de novo, mas isso não é tão ruim assim. Sei que ainda vou parar no olhar de um idoso e questionar, mas isso é bom para desenvolver um olhar mais compreensivo, aproveito esses momentos para ficar junto porque sei que os dias nunca são iguais e nem todas as noites são de insônias.

Olho para a velhice que já está se preparando para voltar para casa. Encaro uma juventude que está prestes a conquistar a velhice. Todos nós temos uma biografia para escrever. Algumas pessoas estão apenas nas primeiras paginas, outras no epilogo. E eu? Eu estou na metade desse livro. Ainda não cheguei na parte que o sonho encontra sua marca, mas isso também não é tão ruim, afinal terei mais algumas noites de insônia para despertar. E antes de finalmente apagar a luz, penso, medito, descanso e peço aos céus que me conceda mais um pouco de tempo para aproveitar esse breves eternos momentos e quem sabe assim terminar minha própria biografia…

“De noite na cama eu fico pensando Se você me ama e quando. Se você me ama eu fico pensando De noite na cama e quando…”

(maria ramos)

Desista…

Quase todo sábado faço meditação em uma casa de estudos filosóficos, sem conceito religioso. Na verdade chamo de meditação tudo o que me “esvazia” e me faz buscar o equilíbrio da mente. Pode vir de uma leitura, um silencio, uma oração, um mantra, uma palavra, uma musica, uma viagem. A meditação apresentada nessa casa dura em torno de 40 minutos e é aberta ao publico. Entre um relaxamento e outro acontece um breve comentário sobre temas para reflexão. E foi num sábado recente que ouvi um tema e me fez pensar profundamente: autoridade mental. A frase que ficou em minha mente foi: “você pode visualizar o que quiser com sua mente criativa”.

E ontem a noite, por uma dessas escorregadas que ainda tenho, voltei a me questionar: Quais pensamentos minha mente trabalha e quanto tempo levo com cada um deles? Quanto tempo perco criando bobagens em minha mente?

O meu tempo passa e passa depressa! Não tenho tempo para desperdiçar com coisas pequenas que já não me servem mais. Por que será que antes tantas coisas eram importantes e hoje as sinto tão superficiais? Sinto que estou retirando a poeira acumulada de anos e anos de uma auto-ditadura. Quando ouvi na meditação a palavra “desista”, comecei listar em meu pensamento:

- desista de coisas e objetos que não te servem mais (Lenine tem uma frase que diz: “quando eu olhar pro lado só quero estar cercado do que me interessa”)

- desista de sentimentos que não te fazem bem… raiva, inveja, egoísmo, culpa, amores (leia-se todo tipo de amor) não correspondidos

- desista de regras, valores, obrigações e padrões já empoeirados pelo tempo

- desista de falsas verdades, falsas imagens e falsos moralismos

- desista de programas e conversas vazias (se não te alimenta não importa que está “na moda”, desista!)

- desista de pessoas com as quais você não tem mais afinidade…

Isso não quer dizer não conviver com mais ninguém, não falo de isolamento. Falo de uma blindagem nos pensamentos e sentimentos, não se deixar contaminar, não sabotar a energia que se renova a cada mudança interna. Falo de respeito, mas principalmente do respeito que devo à mim mesma.

O fato é que ainda fico aqui escrevendo e pensando em tantas coisas que já fiz e me arrependi, tanta coisa que não fiz e que ainda sinto que me falta, pulsa em mim uma estranha sensação do novo… Ahhh esse pensamento que não se esvazia, que não se aquieta e não desiste de pensar, pensar, pensar, tentando descobrir tantas respostas para tantas perguntas, enquanto a vida segue em seu rumo longo e lentamente nas entrelinhas me pede mudanças!

Mas a boa noticia é que meditar faz bem! Me leva para um interior de verdades e profundas descobertas. Desenvolver uma mente mais aberta é dar espaço à criatividade, retomar os velhos pinceis guardados e recriar novas tintas. E para que isso aconteça preciso de leveza e liberdade, preciso de espaço mental, preciso desistir de pensamentos antigos, da aprovação e do reconhecimento do outro. Minha autoridade mental tem esse poder ou me permite ter.

Será que escrevi bobagem?…(respiro)  tumblr_l9z2tx2Lab1qe72qio1_400[1]Desisto de me punir! Desisto de dizer “não sou”. Hoje sou escritora, sou poeta, sou velha, sou jovem, sou eu. Essa é minha imagem, essa é minha letra!

Simplesmente escrevo (assim mesmo, no presente). Visualizo o meu hoje, leio e releio meus manuscritos, medito e as vezes me assusto com as mudanças internas, mas aos poucos (bem aos poucos mas embora com pressa rsrs) desisto de idealizar o futuro e criticar o passado. Simplesmente vou vivendo, me encontrando, me renovando e me encantando (assim mesmo, no gerúndio).

E mesmo sabendo que a minha vida é difícil de prever e as vezes difícil de interpretar, a cada meditação minha mente cria um novo olhar, me faz desvendar novos véus. Então respiro e descubro que a única coisa que não vou desistir é de viver.

“Você verá que é mesmo assim, que a história não tem fim
Continua sempre que você responde sim à sua imaginação…”

(maria ramos)

Por um sofá, um disco e uma Lady

images[4]  Quando penso em Paris a primeira imagem que me vem a cabeça é a Torre Eiffel. Quando vou assistir um filme de Woody Allen tenho certeza que a trilha sonora que vou ouvir será Jazz. E quando penso em Jazz, não consigo pensar em outra imagem que não seja Billie Holiday, ou simplesmente Lady Day como ficou conhecida a mais bela voz desse gênero musical.

Foi há algum tempo ( mas acho que já tinha passado da adolescência ) e justamente assistindo um filme de Woody Allen que me propus a conhecer o jazz. E nessa curiosidade conheci mais de perto Billie Holiday. Sua voz suave, frágil, requintada e melancólica me tocou profundamente e fui direto comprar seus discos. Sempre acho que a genialidade dos melancólicos me causam um certo frisson rsrsr

Jazz é para ouvir naquelas horinhas de descanso, em sofisticado silencio e a voz de Billie completa esse momento tão raro nessa era de playlist, pen drive etc. Acredito que esse som ficaria bem melhor  se tocado numa boa e velha vitrola.

É! Acho que estou ficando velha! Cada dia que passa venho resgatando meus gostos do passado. Billie Holiday é apenas mais um exemplo de uma época da minha vida que tinha tempo para deitar no chão da sala com a cabeça sobre o sofá e assim fechava os olhos e viajava num mundo dirigido por Woody Allen. Não sei já era uma sonhadora, uma louca ou uma metida a intelectual rsrs… só sei que ouvindo Lady Day descobri o verdadeiro significado da palavra “Diva”.

Se estivesse viva, Billie estaria completando 100 anos exatamente hoje. Viveu um curto período de gloria e um longo entre drogas, álcool, escândalos e conflitos internos. Em pouco tempo de carreira deixou saudade e inspiração para muitas outras cantoras pós sua geração – impossível ouvir Amy Winehouse e não lembrar de Billie.

Alguns momentos da vida me trazem boas lembranças e é bom saber que posso resgatar esses momentos procurando velhos e empoeirados CDs na estande, achar um tempo e novamente deitar no chão da sala e me imaginar num filme de Woody Allen, cantando pelas ruas de New Orleans…

O tempo passa e ao ouvir Billie Holiday novamente percebi que um toque de sofisticação nunca passa nem cai de moda, apenas aprimora com o tempo se eu me permitir. E hoje posso até me dar ao luxo de abrir um bom vinho tinto, me jogar no sofá e por uma hora sonhar ouvindo a doce e encantadora voz de uma Diva. Mas isso é para as poucas horas de descanso… quero dizer, merecidas horinhas de descanso.

“I’m dreaming of the man I love…”

(maria ramos)

Mel, chá, uva passa e homens

Não se engane com esse titulo! Não se trata de nenhum texto erótico, apenas para dizer que existem algumas coisas na minha vida que não dispenso. Ultimamente ando lendo textos sobre o tema  “mulheres independentes não precisam de homens pra nada” e fiquei perguntando se sou uma exceção?! Porque nem sempre ser independente, levantar uma bandeira feminista, lutar por direitos iguais é coisa de mulher “anti-homem”. Pelo contrário! Feminismo é outra historia e tema para um outro post.

Sou independente, pago minhas contas sozinha, trabalho desde os 16 (já tenho 50), montei sozinha meu próprio apartamento e não tenho cama de casal (era uma questão de escolha, ou a cama ou o guarda roupa de 6 portas… fiquei com meus sapatos rsrsr ), mas daí dizer que “não preciso de homem pra nada” acho um pouco de exagero.

Preciso de homem que troque a lâmpada do meu banheiro (escolhi um lustre lindo mas não é pratico); preciso de um homem pra matar barata quando ela insiste em me visitar; preciso de um homem que saiba instalar e ligar o fio da TV conectado com o cabo da NET mais o Blu-Ray cheio de fios coloridos e que no final tudo funcione sem sobrar uma conexão; preciso de um homem pra furar minha parede com aquela furadeira pesada que nem mesmo consigo retirar da caixa, e colocar meus quadros na parede com precisão; preciso de um homem para trocar o pneu do carro (nunca consegui girar aquela chave com facilidade); preciso de um homem que me escute quando estou mal e preciso ouvir praticidades, logica e sinceridade (porque homem é sempre mais sincero e pratico).

Ok! Você pode estar pensando que na verdade não preciso de homem e sim de um ajudante de serviços gerais. Mas posso garantir que não é isso. Falo de todos os homens, nãos necessariamente de uma única espécie. Falo de pai, irmão , amigo, namorado, ficante, vizinho … Daquele homem que sempre esta presente quando você mais precisa, ate nas coisas mais banais. Homens são mais simples e acho que eles possuem outro olhar sobre a vida, não complicam tanto.

Sinto falta do amigo que bebe cerveja, que ri e chora comigo e diz que sou uma idiota por amar sem razão. Sinto falta do pai que sabia escolher melhor um lustre do que eu. Preciso do irmão que faz churrasco e mesmo sabendo que não como carne faz uns legumes na grelha só pra me agradar. Preciso do vizinho palmeirense para gritar e brincar na minha janela quando o meu Corinthians perde um jogo e depois rir muito bebendo um vinho entre família e portas abertas. Preciso de Johnny Depp, Al Pacino, George Clooney, Ralph Fiennes, Charles Chaplin e Flavio Venturini. Esses homens me fazem falta!

Não preciso de um para pagar as contas, preciso de alguns que saibam conversar e finalmente daquele homem que mesmo depois de me ver de pijama de bolinha do Mickey, ainda deita ao meu lado e ate que me veja dormindo, fica desenhando minhas costas com o toque suave de suas mãos (aahhh as mãos!! a parte do corpo de um homem que mais preciso… acho ate que já falei aqui sobre o meu fascínio por mãos…  #ficaadica rsrsr…)

E depois de ter feito essa lista, conclui ainda que nem sempre preciso ou vou precisar de um homem. Em certos momentos da vida a minha companhia me basta. Mas em outros momentos, a presença de um sempre será indispensável.

Achou meio carente esse texto? Pode ser. É que hoje estou precisando daquele ombro amigo que só um homem sabe (e soube) dar. Enquanto ele não chega, fico com meu pote de mel, um punhado de uva passa e minha xicara de chá, que sem exagero, são  indispensáveis, necessários e permanentes em minha vida. Certos vícios são importantes e alguns eu não abro mão…

images7DFT25BS (maria ramos)

“Acho que gosto de são paulo/ E gosto de são joão / Gosto de são francisco e são sebastião / E eu gosto de meninos…”

 

Ser feliz é preciso, sem precisar

“Para ser feliz com uma pessoa, você, em primeiro lugar, precisa não precisar dela” – Mario Quintana

Parece um pouco estranha a frase do poeta, mas por alguns instantes refleti sobre ela e comecei a pensar que para amar é preciso desapegar. Quando me apego, sufoco o outro e transfiro para ele uma responsabilidade que é unicamente minha : a responsabilidade de ser feliz por mim mesma.

Difícil? Não. Porque amar ou ser feliz na concepção da palavra é fácil. Torno difícil porque ainda insisto em ser dramática, egoísta, possessiva ou carente.

É preciso trabalhar com as possibilidades das perdas. Estar preparado para despedidas nem sempre é simples, mas quando aceito que o desapego faz parte do processo de libertação, o adeus tende a ser mais compreendido. “Ninguém é de ninguém “. Na vida eu só compartilho certos momentos por algum tempo e nada mais(por isso devo aproveitar esses momentos sem apego, sem cobranças e principalmente sem me anular). Olhar as coisas ou pessoas com menos posse pode me libertar de certas carências afetivas. Não quero dizer aqui que é incrível ser feliz sozinho – seria hipocrisia da minha parte – o texto que escrevo hoje é para meditar nas palavras de Quintana, e como elas fazem sentido quando me enxergo com um olhar mais generoso.

Como ser feliz com alguém sem precisar desse alguém?  Como será que construí minhas relações? Viajei no tempo e algumas lembranças ficaram claras…

Muitas vezes, mesmo que de brincadeira já perguntei : – Você me ama ? – e aguardava resposta rsrsr ( quase sempre fazia essa pergunta para meu pai , só para ouvir um “hum hum” – era o jeito dele de dizer “sim” )

Depois de uma briga sem importância com um amigo, arrependida eu já disse : – Se eu perder sua amizade eu morro. E para aquela paixão da adolescência já implorei : - Minha vida só tem sentido com você

Na hora de escolher um roteiro de férias, um restaurante ou até aquele programinha com amigos nos finais de semana, já perguntei : – O que você acha? Tudo que você decidir está bom pra mim

Já questionei minha terapeuta : – Como assim “vai me dar alta”? E quem vai me ouvir ou me aconselhar nos momentos de crise?

Enfim… cheguei a conclusão que já precisei mais do outro do que de mim mesma. E confesso que isso foi um desastre emocional. Era preciso ser mais leve nas relações e com o tempo fui amadurecendo e hoje tento cada vez mais me desapegar. Porque se existe uma pessoa que irá conviver comigo pelo resto de minhas vidas, essa pessoa sou eu.

imagesG5V7TE02   Por essa razão é melhor eu contar comigo pra ser feliz, que automaticamente essa felicidade irá refletir  no outro. “Pra ser feliz com uma pessoa você não precisa precisar dela”. O resultado disso tudo poderá ser um “felizes para sempre”, ou até quando o pra sempre durar.

(maria ramos)

“Sou pequenina e também gigante/ Vem, cara, se declara/ O mundo é portátil pra quem não tem nada a esconder. Só não se perca ao entrar no meu infinito particular…”

************

p.s.: Quando escrevi esse texto, ainda não tinha terminado de ler a biografia de Grace Kelly* e a relação de amor relatada entre ela e o príncipe Rainier III. É! Que me desculpe Mário Quintana, mas tudo na vida tem lá suas exceções. E não há regras para ser feliz… Rainier III construiu uma feliz relação de amor com uma real cumplicidade e uma sutil dependência com sua bela princesa de Mônaco, que deixaria qualquer conto de fadas ou poeta com inveja dessa história. Mas isso é assunto para um outro texto ou quem sabe uma crônica. Até lá!

* Grace – A princesa de Mônaco – Jeffrey Robinson – Editora LeYa

365 dias de maria…

Quando chega o final de mais um ano, sempre faço promessas para o próximo… mas esse ano não! Comecei recentemente fazer uma listinha de tudo que descobri nesse 2014 que já está fechando as portas. A ideia da lista é rever minhas pequenas vitorias ( sejam externas ou principalmente internas ). Quem sabe assim eu comece a valorizar o que já conquistei, para construir um 2015 com mais liberdade, leveza, verdades, entregas, descobertas e menos promessas…  Vamos lá !

O que descobri nos 365 dias de 2014 :    imagesXZ7VBRPM

* Descobri que florais de Bach, vinho, cerveja tem lá seu poder, mas que o melhor da vida mesmo, é ter uma irmã por perto

* Descobri que paciência não é uma musica do Lenine, é uma virtude que eu ainda preciso melhorar

* Descobri que o melhor de viajar é poder conhecer as culturas e costumes dos lugares, e isso deve ser respeitado ( sempre )

* Descobri que família é sim uma parte importante da minha vida, mas não preciso estar grudada nela o tempo todo para demonstrar o meu amor. Simplesmente amo do meu jeito, e essa é a minha verdade.

* Descobri que as vezes tenho o direito de ficar triste, quieta ou com raiva, mas isso não me dá o direito de ferir ninguém ( nem eu mesma )

* Descobri que construir  um lar é necessário, mas encontrar um cantinho de refugio é fascinante

* Descobri que o que me acalma mesmo não é uma caixa de brigadeiro, mas a caixinha de lenços da minha terapeuta ( duvida ? se quiser o telefone dela para marcar uma consulta, me envie uma mensagem e você vai ver que tenho razão… )

* Descobri que toda “TPM” tem seu lado saudável. Portanto não preciso de carne vermelha para sobreviver, preciso de  lápis, caderno e inspiração

* Descobri que fazer 50 não é nenhum bicho papão, pelo contrario, fazer 50 ajuda a libertar os bichos internos

* Descobri que ainda não tenho limites e acho que ainda continuo errando quando o assunto é amor … Mas que bom ! É sinal que esse sentimento ainda pulsa em mim… e amar nunca é um erro

* Descobri que para me aproximar ainda mais perto de Deus, não existe um único caminho nem preciso me rotular. Preciso de estradas, mente aberta, discernimento, fé e livros … livros sempre

* Descobri que uma xicara de chá, NetFlix, FB, Skipe, etc.. são excelentes companhias em noites de inverno, mas não substituem os amigos de carne e osso

* Descobri que posso me virar sozinha, mas ter o fone daquele amigo mineirinho sempre a mão, ainda é a melhor solução para problemas com a internet ou com essas modernidades que existem por aí

* Descobri que certas pessoas cruzam meu caminho, deixam suas marcas, cumprem suas missões e se despedem, mas não deixam de compor a trilha sonora da minha vida

* Descobri que não posso modificar pessoas, porque como diz Carl Rogers, pessoas devem ser comtempladas e não modificadas

* Descobri que poesia não se inventa. Poesia é uma explosão de sentimentos

* Descobri que casa e havaianas combinam super bem, mas definitivamente “Home Office” não é minha praia

* Descobri que me descobrir é dolorido. Ate chegar ao encontro de contemplação e aceitação é difícil, mas no final ( ou começo ) posso dizer que vale a pena passar por 3 anos de análise …

Descobri novos músicos, novos escritores, novo autores, novas pessoas, novos gostos, novos olhares…Essa lista é um pouco mais extensa, mas vou deixar para o próximo ano. Porque se pretendo fazer uma promessa, que seja essa : menos promessas, mais descobertas…

Obrigada pela companhia em 2014. Porque uma coisa que também descobri, não posso deixar de dizer : * Descobri que agradecer  e vibrar por todos os meus leitores (as) e paginas amigas é indispensável e obrigatório, mas receber as boas energias de volta através de palavras de carinho, incentivo, troca de informações, novos encontros e novas curtidas é simplesmente recompensador. Love!

F E L I Z   2.015 !!

(maria ramos)

“… Alguém falou do fim-do-mundo/ O fim-do-mundo já passou/ Vamos começar de novo: Um por todos, todos por um…”

Convoque seu Buda

convoque seu buda   “Convoque seu Buda”  é o titulo do recente trabalho do rapper Criolo. Quando li fiquei pensando o quanto esse titulo pode ser profundo e diverso, não só pelo mundo da musica como em tudo que rola hoje em nosso mundo.

Pra quem já me conhece sabe do meu interesse por filosofias religiosas e em especial o Budismo, mas ficar só lendo e falando sobre “a força interior que existe em você” não basta se não canalizar e colocar essa filosofia em pratica dentro dos nossos limites e aceitação. E foi aí que o titulo me chamou atenção !  Como convocar ???

“Essa convocação é por enxergar que todas as pessoas carregam algo positivo. Chama essa boa energia porque a vida está difícil”, disse Criolo sobre o título do disco

O que será que eu ou o que voce tem de Buda para convocá-lo ? Com tantas indignações no mundo moderno, como chamar essa energia positiva ??

Porque hoje vivemos num mundo com informações rápidas e as noticias de corrupção, guerras, preconceitos, intolerâncias ou injustiças  chegam num toque do celular…  Lemos, nos informamos e o que fazemos ?

Criolo mesmo diz que querer mudar o mundo por um ideal mas permanecer sentado num sofá da sala não ajuda em nada. Então para convocar o Buda que existe em mim é necessário levantar do sofá!! Não estou querendo dizer que devo ser radical e gritar uma rebeldia inexistente. Mas me tornar mais ativa, mais racional, mais educada, mais coerente, informada, honesta comigo mesma e me perguntar o que posso fazer , qual a minha parte ou a minha importância nesse mundo, pode sim ser um bom inicio para libertar esse Buda. Porque acredito realmente que todos nós temos algo de bom ou em potencial a fazer ou a expressar. Seja na forma de arte, musica, poesia, palavra, amizade ou até mesmo através de uma gentileza ou delicadeza urbana ( um simples e verdadeiro “bom dia”pode ser transformador )

Acredito também que está na hora de nos unirmos mais em troca de boas informações, boas ideias, boas conversas e assim ir de encontro com novos conhecimentos. Começar a abrir a mente, olhando o outro como se tivéssemos olhando a nós mesmos – um olhar menos critico e mais libertador. Sair nas ruas sim ou nos comunicar em redes sociais, mas não com violência, imposições ou para criar polêmicas. Mas com propósito, inteligência, gentileza, algo que desperte esse lado “positivo”que Criolo diz.

Então qual a energia que me pulsa ? Qual ideologia para um mundo melhor sem radicalismo ou fanatismo ? Como eu me enxergo diante do mundo ? Qual a parte que me cabe ? Qual lado positivo eu carrego ?

Acho que entendi o que o Criolo quis dizer com “a vida está difícil” e por isso, descobrir esse potencial ou despertar esse chamamento, é saber convocar com serenidade e consciência o Buda que existe em cada um nós e aí encarar com mais facilidade a nossa permanência aqui nesse mundo. Quem sabe?! …Namastê!

(maria ramos)

“Quando se acabou com tudo/ Espada e escudo/ Forma e conteúdo/ Já então agora dá/ Para dar amor…”

Relacionamento ideal e modo de usar : vide a sua bula

Não sei se por coincidência, seja em família ou num papo de bar entre amigos, tenho cruzado muito com a mesma conversa : Relacionamentos.casamento3

Hoje sei que vivemos em outra época com outras necessidades e formas de se relacionar e ate mesmo uma forma mais simples de se conviver. Quase não existe mais o pedido de namoro, o noivado, o véu, a grinalda, igreja, o juramento de felizes para sempre; preparativos da festa, padrinhos, alianças, bem casado, lua de mel… sem contar que minha avó e minha mãe tiveram ”a camisola do dia” ( muito bonitinho isso não é mesmo ?! rs ). Mas na verdade acredito que no fundo quebramos mesmo foram as regras de conceitos ( ou pré ) de uma geração que já não vivemos mais.

Morar junto hoje, eu particularmente acredito que é estar casado, embora meus amigos e amigas nunca admitem esse “estado civil”, acho que a condição “casados” gera um certo medo, desconforto, sei lá !! Eles  sempre apresentam suas esposas ou maridos como namoradas ou namorados. E na verdade o que isso importa ?  Casar não é um namorar constante ?!!

Por que precisamos de uma regra, de um padrão, de um titulo ?  Para decidir estar com alguém é necessário mesmo impor condições ?

O homem tem que ganhar mais que a mulher; a mulher não pode ser mais velha que o homem; a casa não pode ser pequena porque temos que pensar nos filhos que virão; o homem é quem pede a mulher em casamento nunca o contrario; e para o casamento valer tem que ter a benção de um padre; se o namoro já passou de 2 anos tá na hora de casar e “assumir” o que se quer…

Mas aí eu pergunto : Se o que quero é simplesmente ser feliz junto com a pessoa que escolhi, porque tantos questionamentos ??! Porque pensar tanto no futuro e não curtir o presente ?

Parece que ainda vivemos ( ou queremos viver ) na época de nossos avós, onde para demonstrar felicidade e casamento perfeito, era preciso caminhar nos padrões impostos pela sociedade. Mas já não nos libertamos desses padrões quando aderimos a geração paz e amor nos anos 60? Quando queimamos soutien em praça publica? Com a geração da pílula e liberdade sexual ( direito de transar sem querer ter filhos )?, Quando saímos ás ruas, pintamos as caras e derrubamos ditaduras e muros? E recentemente quando apoiamos o casamento entre o mesmo sexo…!?!?…

Então por que ainda perdemos tanto tempo em querer decidir padrões de relacionamentos ? Por que ainda tenho que assinar um papel ? Ok! Para garantir meus direitos? – Sim, pode ser,  mas também não tenho direto de ser feliz com a escolha que fiz ?!!  Não quero aqui criticar o casamento ou os seus rituais (acho bonito e curto todas as etapas), nem mesmo filosofar ou levantar bandeiras, só quero colocar que cada um deve ser feliz do seu jeito. Para amar não precisa regras, precisa apenas que se ame e do jeito que se quer ou como se escolhe. O que é ideal pra mim pode não ser o ideal para minha irmã ou amigos. Não existe bula com dosagens corretas, não existe certo nem errado, existe formas de se viver e cada um dentro da sua verdade.

Pode ser que seja meu lado sonhadora, afinal nunca dividi um teto com alguém. Meus amores, como já escreveu um dia Fernando Pessoa, sempre foram “rios subterrâneos”, acho que ate por isso gosto tanto da LIBERDADE da palavra AMAR e da vontade de descomplicar. Mas depois de tantas conversas acho que caí na real e entendo que não existe regra para amar ou para se relacionar, temos apenas que saber bancar as nossas escolhas e o jeito que queremos viver.

Se o que quero, eu consigo compartilhar junto com uma pessoa,  sem cobranças, sem regras ou padrões, posso entender aí que descobri o meu jeito de amar! E que nem sempre será o mesmo que o seu. É fácil ? Claro que não! Porque também não existe “o perfeito”, “o ideal” ou o “para sempre”, no meio do caminho pode haver frustações e tropeços e é isso que chamo de “bancar”! Que o importante num relacionamento (seja ele qual for) é admitir, aceitar, respeitar e ate reconhecer e reavaliar os possíveis erros do caminho, sem culpas.

casamento   Encerro esse texto ( embora esse tema ainda possa render muitos outros por aqui rsr ) respondendo a pergunta que um amigo me fez em um desses papos de bar : -  “Defina relacionamento ideal Maria !”

- Relacionamento ideal é o seu e o de cada um presente nessa mesa ou nesse bar, todos estão certos dentro das suas escolhas. Não existe uma única formula ou uma única bula. Existem necessidades e valores.  E necessidades e valores não se impõem, são escolhas individuais de cada um. Mas quando dois – por uma interferência dos astros – se encontram em afinidades…basta dar as mãos, atravessar a rua sem medo, seguir junto casamento2“ e amar até, amar até, até quando Deus quiser…”

(maria ramos)

Um lugar pra chamar de meu

“Antes de encontrar o melhor lugar do mundo, você deve encontrar-se a si mesmo, caso contrario sempre estará no lugar errado”- Eugenio Mussak

1622827_604474249645784_1124641773_n[1]Quando comecei a construir ou a buscar um novo lugar em mim, achei que seria rápido. Algumas sessões de terapia e … Cham Cham !!! … Encontrei…

Doce engano ! Para me encontrar foi preciso me desencontrar, descontruir, arrancar tudo que em mim estava enraizado, e isso levou tempo e ainda estou nesse processo porque essa tarefa é contínua, é autoconhecimento,  é encarar meus monstros, meus fantasmas … enfim, o “Se Conhecer” acontece mesmo é no dia-dia ( e todo dia ).

E é nesse vai e vem de encontros que olho pra mim e percebo que recomeçar, reconstruir e refazer é processo dolorido e corajoso, porque requer se desfazer do orgulho e reconhecer que tenho defeitos, sentimentos adormecidos e não resolvidos, padrões envelhecidos etc… É necessário fazer uma faxina e faxina cansa, mas o resultado vale todo o esforço.

Cada tijolo que levanto dessa construção é uma vitória (suada, mas vitoriosa ). E haja terapia e floral para aguentar tanta descoberta.

Já ouvi dizer ( ou li ) que meu caminho é feito de escolhas. Posso garantir que sim, que conselho de amigo, de família e de terapeuta ajuda ( e como ajuda ! ), mas a escolha é minha e só eu posso responder e ser responsável por ela.

Hoje já conquistei ( e me encantei ) um lugar para chamar de meu. Ele não é nenhum Shangri-la nem tão pouco um Taj Mahal mas é meu ( desculpe o apego ). E acredito ser necessário que todo mundo em algum momento da vida tenha ou procure um lugar para respirar, compor, pensar, escrever, redescobrir, sonhar ou apenas comer, beber e rezar. Ahhh! amar também vale !

Meu lugar não tem segredo, nem mapa. Ele está e foi descoberto através de muito esforço, mudanças de atitudes, coragem de decidir e sensatez. Sei que nenhum lugar é eterno, mas enquanto eu pisar nele que seja um bom lugar. Sei que nenhum lugar é para sempre, porque sempre estarei mudando ( e “o pra sempre, sempre acaba…” ). A vida é um ciclo, é realmente feita de escolhas mas também de estradas e estrelas. E nessa caminhada eu fiz um sinal, peguei uma carona e ando seguindo em frente, buscando um melhor lugar para desfazer as malas e descansar. Acho que estou com muita vontade de desfazer as malas ultimamente… ( certeza que já escrevi sobre isso por aqui.. rsrs )

Tenho tido tantas descobertas pelo meu próprio esforço, que sabendo quem eu sou e pra qual direção quero seguir, um bom lugar nem sempre será um destino, poderá ser apenas um novo encontro. Travessias são importantes para buscar o que se quer, e quando se encontra aí sim qualquer lugar será um bom lugar para chamar de meu. Porque o meu lugar está onde eu colocar meu coração.

Onde está meu coração agora ?? – Acredito que num bom lugar.

E o seu ???…

(maria ramos)

“Onde quer que você viva é o seu templo, se você tratá-lo como tal” - Buda

1239439_655640424460047_800373343_n[1]  “… o melhor lugar do mundo é aqui e agora…”