no mural de maria: “Nômade” – o novo trabalho de Renato Godá, o encantador de cavalos*

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Sabe aquela criança que passou a infância no interior paulista, abrindo porteiras (mais fechando, pelo constante medo das vacas rsrs), colhendo fruta do pé, ouvindo moda de viola com o pai e quando adolescente, ganhava discos de vinil do irmão mais velho e nas tardes de verão, sentada da varanda da casa, colocava pra tocar na vitrola os discos de Paul Simon, Bob Dylan e Joan Baez incansavelmente ate decorar as canções?

Pois é essa a sensação quando se ouve as 11 faixas do mais recente trabalho de Renato Godá: Um nostálgico momento de contentamento.

Como quem galopa sem destino mas na estrada certa a seguir, Nômade parece te remeter  a Kingsland. Ok! Não conheço Arkansas, mas Kingsland é a cidade natal de Johnny Cash e esse texto é sobre Renato Godá, o que dá no mesmo (rsrsrs).

Por toda essa sensação e com uma poesia diferente de qualquer  poeta de sua geração, Renato (é assim que eu gosto de chama-lo), conseguiu fazer de Nômade um poema novo de palavras leves e simples, mas não menos sensível e profundo.            O que dizer de “Chegada”, uma doce melodia amada e dedilhada em violão (e coração), como se penetrasse num mundo florido, de fantasia, particular e invejável?   E da filosófica “O tempo passa”, aquela musica de final de noite que você coloca para os bons amigos, só para  abrir uma ultima conversa ou uma ultima cerveja e questionar o sentido da vida?… Nômade é assim, uma quase transparente autobiografia.

Mas, as musicas dançantes , aquelas que você pensa em arrastar o sofá da sala e ate tentar uns passinhos de folk, também compõem o novo trabalho com “Dias passados”, “Suas leis”, “50 cavalos” e a própria musica que dá titulo ao disco “Nômade”. Duvido você não cantar e “batucar” no volante do carro enquanto espera o farol abrir!               Renato também não perde a oportunidade de cantar o amor (ainda bem) e faz uma belíssima declaração na canção “Junto a você”, provando que o amor nunca será “Demodê” e que um velho marginal e vagabundo ainda sabe oferecer flores e “conhece os atalhos para te incendiar”… Nômade é assim, uma viagem pelas trilhas sonoras e encantadoras do folk.

Com músicos e arranjos de primeira, o tão esperado Nômade, foi lançado há menos de um mês, desafiando toda e qualquer estatística de que novembro não é uma boa época para apresentar disco novo no mercado, em virtude de muitos e “grandes” artistas lançarem seus trabalhos na mesma época. Mas como tudo na vida de Renato gira em torno de encarar os desafios de frente, a paixão falou mais alto e o que podemos ver em Nômade é um poema semeado e germinado, podendo ser colhido a qualquer tempo e por todas as estradas.

No dicionário, o significado da palavra Nômade é “aquele que vive permanentemente mudando”. O Budismo ainda diz que tudo é impermanente, tudo se renova. E enquanto Renato estiver na estrada, buscando o novo sem perder a sua alma livre, amores e poemas permanecerão vivos, intensos, curiosos, leves e agradecidos.

Agora é aguardar a turnê para conferir ao vivo a bela sonoridade, os impecáveis arranjos, as poéticas letras, a fascinante voz, o charme e o tímido jeito sexy de ser de Renato Godá,  pelos palcos do mundo.

Estrada longa Nômade!

E para quem pensou que não iria listar a minha favorita,  “Sem querer te transformar” foi amor a primeira vista. Quando ouvi pela primeira vez, de cara entendi o motivo da paixão: Renato que me desculpe, mas IVAN MARCIO na gaita, rouba a cena e o poema. Impossível não reconhecê-lo na participação pra lá de especial. É para aumentar o som no solo de gaita e se render ao talento de Ivan.

maria ramos

p.s. eu já escrevi mais sobre Renato aqui no blog (http://tempoparamaria.com.br/?p=6065), mas se quiser conhecer um pouco mais sobre os seus trabalhos e agenda, acompanhe Renato Godá pelo FB  https://www.facebook.com/renatogodaoficial/   e também no Instagram @renatogoda.

* nota: O encantador de cavalos (The horse whisperer) é o nome de um filme estrelado por Robert Redford na década de 90. Sensível e delicado,  o filme retrata com leveza e suavidade a vida livre de um rude cowboy de Montana apaixonado por cavalos, montanhas e pastos,  sem perder o encanto do amor. Quer descrição melhor que essa para definir  Renato Godá? – P.S.Love.

O Haver – Vinicius de Moraes

25-de-julho-viníciusEle dispensa apresentação e qualquer resenha que eu fizer,  será pouca diante da presença de tão encantadora beleza poética.

Nascido em 19 de outubro de 1913 Vinicius de Moraes viveu intensamente todos os seus amores, da musica a poesia, da mulher a boemia e não necessariamente nessa ordem.  O apelido de “poetinha” ele ganhou de Tom Jobim e é assim que sempre lembrarei carinhosamente de Marcos Vinicius de Moraes, um poeta de todos os tempos.

Nesse dia 19 de outubro de 2.017 só me resta homenageá-lo, postando um de seus belos poemas.

A benção “poetinha”!   p.s Love

(maria ramos)

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O Haver

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
– Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido…

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada…

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.”

15/4/1962 – Vinicius de Moraes, do livro “Jardim Noturno – Poemas inéditos”. Cia das Letras,

 

muito prazer…

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Sou como sopro no silencio

sinto, existo, envolvo

Sou como saudade de verão

desejo, inspiro, espero

Sou como rastro no chão

sigo, desvio, apago

Sou como sol encobrindo a tarde

amanheço, medito, renasço…

Sou o tempo que canta a solidão da liberdade

Sou a felicidade sóbria da palavra embriagada

Sou o penúltimo capitulo do meu conto de fada

Sou feliz, ou talvez

Era uma vez…

(maria ramos)

Sonhos não envelhecem

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“Um único sonho é mais poderoso do que mil realidades.”.

Confesso que não sou muito fã desses realitys sobre o mundo da gastronomia, por isso os nomes dos participantes sempre passam despercebidos em minha timeline.

Mas, como a frase acima é de autoria do escritor J.R.R Tolkien, que eu logo associo a grande e belíssima saga (obra) – que sou mega fã -  “O senhor dos anéis”, parei para ler e fiquei surpreendida com a historia de Caroline Martins que mesmo eliminada de um desses realitys, não pendurou seu avental.

É fato que nem todas as receitas dão certo logo na primeira tentativa. As vezes a massa desanda, o pão não cresce ou o forno não aquece o suficiente. Mas se cozinhar é fazer poesia para ser degustada, não desistir dos sonhos e testar novas receitas para provar novos sabores, é uma obra de arte e a receita perfeita da vida.

Vale a pena ler o texto (ou desabafo) de Caroline, diretamente da escola Cordon Bleu de Londres. Isso mesmo que você leu!  Cordon Bleu – está bom para você?

Boa leitura!

(maria ramos)

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“Eu tinha um sonho: estudar na melhor escola de gastronomia do mundo, a Le Cordon Bleu. Por este sonho, este ano, me inscrevi em um reality show. Quando fui eliminada um dos jurados me disse “Caroline, o seu sonho acabou.”; A outra jurada, se referindo aos meus quatro títulos acadêmicos, falou “Você não precisa de um título a mais, você já tem muitos.”; Pois bem, neste momento estou em frente ao prédio da Le Cordon Bleu em Londres esperando pela minha primeira aula, e cá estou refletindo sobre sonhos. Pois afinal, onde já se viu uma mulher com mais de 30 anos querer mudar de carreira? Como ousa desperdiçar 10 anos de formação para se tornar estudante novamente? Os trinta é o período para casamento, ter filhos, comprar casa, formar família, pagar previdência privada, entre outras coisas a mais. A sociedade te pede para fazer uma escolha de vida aos 17 anos (vestibular), e espera que você carregue esta escolha até o túmulo. Te perguntam “está trabalhando”?”, “comprou carro novo?”, “quando chega o bebê?”, porém não te perguntam “você está feliz?”. Estas imposições se transpareceram na minha participação no programa, pois eu fui, em quase todos os episódios, questionada sobre abandonar minha função como pesquisadora para seguir um sonho. Hoje estou aqui vestindo o meu dólmã, de caderno e lápis na mão, e respondo:
* Não, o meu sonho não acabou. Ele só está começando.
* Não, os títulos que possuo não são suficientes, e talvez todos os títulos que eu conseguir conquistar nunca serão suficientes. Há sempre espaço para aprender e se aperfeiçoar.
Não dê ouvidos aos que querem matar os seus sonhos, pois afinal, meus amigos, como já dizia Tolkien: “Um único sonho é mais poderoso do que mil realidades.”.

Texto escrito por Caroline Martins e extraído da sua pagina no FB em 03/10/2017 https://www.facebook.com/ChefCarolineMartins/

Toda poesia de Leonard Cohen – “a thousand kisses deep”

12015122_10153705805284644_355056071469776801_oQuando um homem coloca toda sua sensibilidade em canção e faz da palavra a sua melhor matéria prima, não é só um artista,  é verdadeiramente um poeta. Leonard Cohen vai além da sua aclamada Hallelujah -  Nasceu em 21/09/1934  no Canadá e ate hoje (mesmo após sua morte em novembro de 2016), mantém viva a poesia, seja nas canções, nos livros, poemas ou na sua vida. Meu tempo se rende e agradece toda poesia de Leonard Cohen… pra sempre Love!

(maria ramos)

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“Tu me chegaste esta manhã

Tangendo a carne de que sou feito

É preciso ser homem para saber

Quão bom e doce é, quão perfeito

Meu reflexo, meu mais acabado nexo

Em sonhos é que te conheço

E quem se não tu me levarias

À profundidade de mil beijos

Eu te amei quando tu te abriste

Feito um lírio ao sol inteiro

Sou só mais um homem polar

Sob a nevasca e a chuva reteso

Que te amou de um amor gelado

Com um físico já não sem defeitos

Com tudo que é, com tudo que foi

À profundidade de mil beijos

Eu sei que me tiveste de mentir

Que me traíste por teus meios

Para posar tão alta e excitante

atrás de véus tão traiçoeiros

Nossa perfeita aristocrata pornô

Elegante e barata a um só tempo

Estou velho, mas ainda estou no jogo

À profundidade de mil beijos

E eu ainda sigo bebericando o vinho

Ainda danço os passos lentos

A banda toca Auld Lang Syne

O coração não se renderá tão cedo

Eu corri com Diz e Danté

Nunca tive seus torneios

Mas vez ou outra me deixam tocar

À profundidade de mil beijos

O outono deslizou por tua pele

Alguma coisa captou o meu olhar

Uma luz que não precisa viver

E que não tem por que acabar

Um enigma no livro do amor

Obscuro e obsoleto

Até ser aqui testemunhado em tempo e sangue

À profundidade de mil beijos

Sou bom no amor, sou bom no ódio

É no meio que me refreio

Procuro melhorar, mas é muito tarde

Tem sido tarde demais há muito tempo

Mas tu pareces ótima, ótima de fato

Da Boogie Street o maior prêmio

Alguém devia ter morrido por ti

À profundidade de mil beijos

Eu te amei quando tu te abriste

Feito um lírio ao sol inteiro

Sou só mais um homem polar

Sob a nevasca e a chuva reteso

Mas não precisas me ouvir agora

E toda a palavra que eu deito

Depõe contra mim de alguma forma

À profundidade de mil beijos”

 (a thousand kisses deep – Leonard Cohen – 21/09/1934)

Vamos falar de compaixão

tumblr_m1mnc8vPka1rnchxso1_500“Imagine passar sua vida inteira em um pequeno quarto com apenas uma janela fechada e tão suja que mal deixe passar a luz. Você provavelmente acharia que o mundo é um lugar bastante obscuro e sombrio, repleto de criaturas de formas estranhas que lançam sombras aterrorizantes no vidro sujo quando passam pelo seu quarto. Mas imagine que um dia você derrame um pouco de água na janela, ou um pouco de chuva escorra pelo vidro depois de uma tempestade e use um trapo ou a manga de sua camisa para enxugar a água. Ao fazer isso, parte da sujeira acumulada no vidro é limpa. Subitamente, um pequeno feixe de luz atravessa o vidro. Curioso, você pode limpar um pouco mais e, à medida que mais sujeira é limpa, mais luz entra no quarto. “Talvez”, você pensa, “o mundo não seja tão escuro e assustador. Talvez seja o vidro”. Você vai até a pia e pega mais água (e talvez mais alguns trapos) e esfrega até que toda a superfície da janela fique livre da sujeira. A luz entra em todo o seu resplendor e você percebe, talvez pela primeira vez, que todas aquelas sombras de formas estranhas que costumavam assustá-lo a cada vez que passavam eram pessoas — exatamente como você! E, das profundezas de sua consciência, surge o desejo instintivo de formar um vínculo social — sair para a rua e estar com essas pessoas. Na verdade, você não mudou absolutamente nada. O mundo, a luz e as pessoas sempre estiveram lá. Você só não conseguia vê-los porque sua visão estava obscurecida. Mas agora você vê tudo, e que enorme diferença isso faz!

É isso que, na tradição budista, chamamos de despertar da compaixão, o despertar de uma capacidade inata de identificar-se com e compreender a experiência dos outros.

A compaixão, em termos tibetanos, é um  sentimento espontâneo de vínculo com todos os seres vivos. O que você sente eu  sinto; o que eu sinto você sente. Não há nenhuma diferença entre nós.

A compaixão é essencialmente o reconhecimento de que todos e tudo são um reflexo de todas as outras pessoas e todas as outras coisas. E com uma simples mudança de perspectiva, você pode não apenas alterar a própria experiência, mas também mudar o mundo.

A única razão pela qual não abrimos nossos corações e mentes para outras pessoas é que eles provocam confusão em nós, e não nos sentimos corajosos o suficiente ou sãos o suficiente para lidar com eles. Na medida em que nós olhamos com clareza e compaixão para nós mesmos, nos sentimos confiantes e destemidos ao olhar nos olhos de outra pessoa.” – texto extraído da pagina http://www.budavirtual.com.br/o-primeiro-estagio-da-compaixao-e-a-empatia/

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E você? Como verdadeiramente se enxerga? Qual sentimento habita o teu ser? O apóstolo Pedro em Atos 3:6 diz “não tenho ouro nem prata mas o que tenho te dou…”. Compaixão é muito mais sentimento que matéria. Compaixão é o ato de desprender-se, enxergar no outro o amor contido em nós e soltar, deixar fluir sem comparações, cobranças ou preconceitos. Compaixão é contentamento e para chegar nesse degrau é necessário passar primeiro pelo degrau do auto amor, mas isso é assunto pra outra leitura.

Pense nisso! Namastê.

(maria ramos)

no mural de maria: “O Filme da Minha Vida” – uma poesia em forma de película

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O cinema é chamado de arte (mais precisamente a 7ª arte), mas quando um filme é dirigido por Selton Mello pode  chamar de poesia, pois não há  outra palavra que defina O Filme da Minha Vida.

Emoldurado por uma bela fotografia e com uma trilha sonora de tirar o fôlego e de dar inveja a qualquer produtor musical, O Filme da Minha Vida conta com delicadeza a historia de Tony Terranova (impecavelmente interpretado pelo ator Johnny Massaro), menino de ar doce que vive uma vida simples com a família e poucos amigos numa pacata cidade do sul, durante o nostálgico e romântico anos 60. Com a chegada da maturidade e ainda tendo que enfrentar a ausência do pai que sempre inspirou seus passos, Tony vê seu  mundo se transformar aos poucos, enquanto o trem da  vida segue por novos trilhos sem perder a poesia e o encanto.

E  O Filme da Minha Vida  é encantador justamente por falar de sentimentos que parecem esquecidos hoje em dia. Encantos como a beleza, o equilíbrio, a gentileza, a inocência, a serenidade, a compreensão, o afeto, a poesia  e o amor. Desde “Cinema Paradiso” não se assistia um filme tão poético.

Nessa estação chamada vida, somos convidados a embarcar no trem dos nossos sonhos. Com o tempo, entre partidas e chegadas percebemos que existe o meio, onde cruzamos com a paisagem do caminho. Nessa estrada nem tudo são flores, pois há varias estações contidas, mas nossos olhos podem ver o que é belo mesmo que estejam repletos de neblina, pois o que nos movimenta não é a matéria prima da roda e sim a essência das emoções que vivemos. Uma (de muitas) frase inesquecível do filme diz que o mais importante na vida é ter olhos e ter pés, os olhos para ver a beleza do mundo e os pés para ir de encontro ao mundo. Conforme o filme avança em poesia, vamos percebendo que a historia fala de alma e essa ninguém nos rouba.

O Filme da Minha Vida poderia contar outras historias, a historia de um rio vermelho por exemplo, que cruza o caminho de um menino e seu pai, vem  a correnteza e separa os dois… O resto? O resto eu não posso contar.

p.s. O Filme da Minha Vida é um rio vermelho de amor, o amor é poesia e a poesia há de inundar o mundo. P.s. love.

maria ramos

O FILME DA MINHA VIDA

Direção e roteiro de Selton Mello

Baseado na obra original “Um pai de cinema” do escritor Antonio Skarmeta

Com Johnny Massaro, Selton Mello, Bruna Linzmeyer, Vicent Cassel, Rolando Boldrin e grande elenco.

Em cartaz nos cinemas do Brasil

Ben

532c8908d536eeafe91081eb7bfaf55eQuando o verso deixa de ser ausente, você é semente, um sonho, um ganho de Natal

Até o carnaval, apogeu! Cresceu, virou grão. Razão nova para germinar, pulsar na estação gelada, marcada pelo quente dos sentidos, dando abrigo, pão e gosto.

Entre meses ou agosto, não há verbo que defina ou descortina a espera desse amor contido, escondido, tatuado, só agora revelado e pra sempre inacabado…

(maria ramos)

em um sonho 21/12/2015

Respire fundo e relaxe…

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“Respire fundo e relaxe!”

Quantas vezes já ouvimos, repetimos essa frase e respiramos fundo, sem perceber que esse gesto é um dos passos para o auto conhecimento?

Mas ter (ou encontrar) tempo pra se conhecer nos dias frenéticos de hoje, parece um caminho impossível de percorrer. Muitas vezes nos encontramos insatisfeitos com o que conquistamos ou com o que somos. Sempre buscando respostas, vamos cada vez mais nos enchendo de informações sem ao certo saber qual real direção seguir. E é nesse emaranhado de novas descobertas que a meditação – uma técnica milenar que surgiu na Índia há mais de 5.000 anos AC.- nunca esteve tão presente como agora, em pleno século XXI.

Revistas, jornais e todas as mídias da atualidade exploram o tema e  divulgam o termo Mindfulness (técnica criada em 1979 e que quer dizer “consciência e atenção plena”). No livro “A arte de meditar”, Matthieu Ricard nos diz que “As técnicas de meditação visam transformar a mente. Não é necessário atribuir-lhes um rótulo religioso particular. Cada um de nós tem uma mente, cada um pode trabalhar com ela.”
E é verdade! Podemos observar que independente de religião, a pratica da meditação está aberta e espalhada pelos parques das cidades para quem quiser participar. Profissionais da saúde (seja de corpo ou mente) e pesquisas recentes comprovam que a pratica melhora o desenvolvimento no ambiente de trabalho, diminui a insônia, reduz a pressão arterial, enxaqueca, estresse e ansiedade, estimula a criatividade, fortalece o sistema imunológico, aumenta o bem estar e melhora a autoestima. O vídeo disponível no canal do Youtube  “Para começar a meditar”, ministrado pelo mestre e zen budista Lama Padma Samten (CEBBSP), já obteve mais de um milhão de visualizações. A busca por conversas, informações  e assuntos mais saudáveis vai além da alimentação natural sem glúten e sem gordura.

Desde a antiguidade, a meditação é prática importante em todas as tradições espirituais do mundo, desenvolvendo o conhecimento de si mesmo no despertar da consciência. Mas o que antigamente era privilégio somente dos monges ou eremitas, passou a fazer parte da vida de muitas pessoas e se espalhou pelo mundo moderno. Parece que todos correm contra o tempo para conquistar o tão sonhado e necessário equilíbrio do corpo e da mente – “Mens sana in Corpore sano”.

Diante desse quadro, podemos então dizer que muito mais do que novo ou um “modismo”, a meditação é um caminho para encontrar nossa atenção plena, ouvir o nosso  silencio, pois como já escreveu o poeta Manoel de Barros “Só o silêncio faz rumor no voo das borboletas.” E como curiosos que somos, não queremos ficar parados olhando esse fluxo de passos apressados sem cogitar qualquer mudança. Decididos, procuramos qualquer atalho que nos leve a esse caminho o  mais depressa possível.

Mas  calma! Não é necessário pressa, precisamos apenas respeitar o nosso limite e deixar um espaço para ouvir a voz da respiração, no tempo e momento certo, sem culpa ou cobrança. Preste atenção! O nosso corpo fala quando sente necessidade. Saiba ouvir, discernir e se aninhar nesse silencio, porque como diz o mestre zen Padma Santen “O caminho da meditação é o caminho da compreensão e a sua mente já tem esse espaço”

Convido você a mergulhar no silencio dessa pratica milenar. Tente! Você consegue. Respire fundo, relaxe e zazen*.

(maria ramos)

* “za” significa sentar-se; “zen” refere-se a um estado de meditação profunda e sutil.

“O inferno são os outros”

IMG_20170621_093932_137Por sermos livres somos compelidos a nos inventar dia após dia, pois são as escolhas que moldam a essência do ser livre.                            Filosofo, escritor e critico francês, Jean-Paul Sartre nasceu em 21/06/1905, e seu pensamento livre ate hoje nos ajuda a pensar.

(maria ramos)

 

O inferno são os outros…

“Estamos condenados a ser livres. Essa é a sentença de Sartre para a humanidade. O filósofo e escritor francês, ao lado do argelino Albert Camus, foi um dos maiores representantes do existencialismo, corrente filosófica que nasceu com Kierkegaard e reflete sobre o sentido que o homem dá à própria vida. Para Sartre, a existência do ser humano vem antes da sua essência. Ou seja, não nascemos com uma função pré-definida, como uma tesoura, que foi feita para cortar, por exemplo.

Segundo o filósofo, antes de tomar qualquer decisão, não somos nada. Vamos nos moldando a partir das nossas escolhas. Toda essa liberdade resulta em muita angústia. Essa angústia é ainda maior quando percebemos que nossas ações são um espelho para a sociedade. Estamos constantemente pintando um quadro de como deveria ser a sociedade a partir das nossas ações – o curioso é que o próprio Sartre era viciado em anfetaminas, ou seja, não foi exatamente um exemplo de conduta. Defendia que temos inteira liberdade para decidir o que queremos nos tornar ou fazer com nossa vida. A má-fé seria mentir para si mesmo, tentando nos convencer de que não somos livres. O problema é que nossos projetos pessoais entram em conflito com o projeto de vida dos outros. Eles, os outros, tiram parte de nossa autonomia. Por isso, temos de refletir sobre nossas escolhas para não sair por aí agindo sem rumo, deixando de realizar as coisas que vão definir a existência de cada um. Ao mesmo tempo, é pelo olhar do outro que reconhecemos a nós mesmos, com erros e acertos. Já que a convivência expõe nossas fraquezas, os outros são o “inferno” – daí a origem da célebre frase do pensador francês.

Em uma França devastada após o final da 2ª Guerra, liberdade não era exatamente a palavra do momento. Mas as ideias de Sartre inspiraram toda uma geração de ativistas, como os revolucionários de Paris em maio de 1968, que ajudaram a derrubar o governo conservador francês. O filósofo ficou conhecido também pela sua relação com Simone de Beauvoir, outra ilustre filósofa existencialista. Ela foi sua companheira de toda a vida, apesar de nunca terem firmado um compromisso. Sartre morreu como um filósofo pop. Em 15 de abril de 1980, mais de 50 mil pessoas foram ao seu funeral.”

Texto extraído da revista Super Interessante (redação 29/10/2015) – todos os créditos reservados.